Dan Houser, cofundador da Rockstar, quebra o silêncio sobre o fim das mídias físicas; como isso pode impactar GTA 6?
Dan Houser comenta o futuro dos discos no PlayStation e em GTA 6.

O cenário da indústria de jogos eletrônicos atravessa uma fase de transformações profundas e polêmicas. Enquanto a Sony avança com planos para encerrar definitivamente a fabricação de discos de PlayStation em 2028 e circulam informações de que o aguardado GTA 6 pode chegar ao mercado sem uma edição física real — utilizando apenas o modelo de código dentro da caixa —, uma das vozes mais respeitadas do meio decidiu opinar. Dan Houser, cofundador da rockstar Games e cocriador da franquia gta, compartilhou suas impressões sobre o embate entre o digital e o físico durante a San Diego Comic-Con 2026.
Houser, que atuou como desenvolvedor principal em marcos culturais como Red Dead Redemption 2 e Grand Theft Auto 5, foi questionado sobre a iminente extinção dos discos. Embora admita não possuir um apego pessoal extremo ao formato, ele defende que a indústria deve respeitar o desejo dos consumidores. Em entrevista concedida no evento, ele foi bastante pragmático ao abordar a transição tecnológica que estamos vivenciando no entretenimento digital.
Eu não sei se me importo, mas se as pessoas querem isso, acho que as empresas deveriam fornecer. Mas não sei se eu pessoalmente me importo.
Apesar dessa postura neutra quanto ao uso pessoal, Houser reconhece os benefícios técnicos que a distribuição online trouxe para o desenvolvimento moderno. Do ponto de vista de quem cria, ele ressalta que a capacidade de atualizar e corrigir problemas nos jogos tem sido extremamente útil para garantir a qualidade final das obras. Entretanto, essa facilidade contrasta com as críticas crescentes de jogadores que veem seu direito de posse ser reduzido. A decisão da PlayStation de banir os discos a partir de 2028 levanta questões sérias sobre a preservação de jogos e a liberdade de emprestar ou revender títulos, algo que ficou evidente quando uma falha recente na PlayStation Network impediu milhares de pessoas de acessarem suas bibliotecas compradas.
Quem também comentou o assunto foi Lazlow Jones, veterano da Rockstar que agora trabalha ao lado de Houser na Absurd Ventures. Jones mencionou a nostalgia e o ritual de inserir um disco no console, mas não ignorou a praticidade da era moderna. Ele citou o exemplo de estar em um aeroporto e poder baixar rapidamente títulos em um Steam Deck para uma viagem longa. Atualmente, a dupla se dedica a projetos multimídia na nova empresa, que incluem um jogo de mundo aberto AAA e histórias em quadrinhos físicas.
Todos nós temos aquele sentimento quando recebemos a cópia e colocamos o disco no console, mas também é muito realizador ter um objeto físico e poder dizer: “Olha, nós criamos uma coisa”.
Ao finalizar sua participação no debate, Houser fez questão de reforçar seu carinho pela tradição ao afirmar que ama mídia física. Enquanto o mercado caminha para um futuro 100% digital, especialistas alertam que a falta de alternativas físicas pode encorajar a pirataria e dificultar o alcance de novos públicos. O debate segue acalorado, especialmente com o lançamento de GTA 6 no horizonte, que servirá como um termômetro definitivo para o futuro do varejo de games.
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