Review: 2nd EVE é mais hack and slash sci-fi do que Souls-like

2nd EVE apresenta combate acessível, progressão simples e uma boa base para o Acesso Antecipado, mas ainda sofre com repetição, cenários pouco distintos e uma narrativa sem muito impacto.

Chamar qualquer jogo difícil de Souls-like virou algo comum, mas 2nd EVE não se encaixa tão bem nessa definição. Ele tem esquivas, parries, pontos de salvamento e evolução de habilidades, mas falta parte do peso e da tensão que normalmente sustentam o gênero. Em vez disso, funciona melhor como um hack and slash de rolagem lateral com visual de ficção científica.

A protagonista é a freira Sister Superior Zola, enviada para investigar uma nave-colônia onde a tripulação está sendo morta ou transformada por robôs e mutações. Armada com uma lança enorme, ela percorre corredores e instalações em busca de sobreviventes, registros e respostas sobre o que aconteceu.

A premissa é aceitável, mas a narrativa não prende muito. Há bastante informação em documentos e conversas, então não é difícil entender os acontecimentos. O problema é que nada parece particularmente interessante ou misterioso. A presença constante de Argos, a inteligência artificial que acompanha Zola, deveria ajudar a preencher a jornada, mas as falas têm uma entrega pouco natural.

Isso acontece porque a dublagem usa vozes geradas por IA. O texto não é necessariamente ruim, mas a interpretação soa plana e sem vida. Em um jogo de atmosfera sci-fi e horror, isso prejudica bastante a imersão. Talvez a experiência funcionasse melhor com menos diálogos falados e maior confiança em textos, sons ambientais e narrativa visual.

O combate é claramente o centro da experiência. Zola tem ataques leves e pesados, com golpes carregados, além de esquiva, parry, contra-ataque e habilidades especiais. No início, tudo parece lento e básico, mas novas opções são desbloqueadas com o progresso.

O ponto positivo é que o jogo não obriga o jogador a depender de uma única abordagem. Quem prefere defesa pode investir em parries mais eficientes, aumentando a chance de executá-los e o dano causado. Quem prefere mobilidade pode usar a esquiva como ferramenta principal, atravessando inimigos e atacando pelas costas.

A esquiva é especialmente forte. Como muitos inimigos possuem movimentos lentos e previsíveis, é fácil passar por eles, encontrar uma posição segura e atacar pela retaguarda. Mais adiante, ela pode ganhar efeitos adicionais, como paralisia ou dano temporário. Uma estratégia eficiente acaba sendo carregar um ataque pesado, usar uma habilidade para paralisar o alvo e finalizar com uma sequência curta de golpes.

Essa liberdade ajuda a tornar o combate acessível, mas também contribui para seu maior problema: a repetição. Depois de encontrar uma estratégia funcional, há poucos motivos para mudar de estilo. Como cada categoria permite equipar apenas uma habilidade por vez, o sistema de progressão é simples de entender, mas não incentiva tanta experimentação.

2nd EVE não utiliza uma barra de stamina. Em seu lugar, quase todas as ações além do ataque leve possuem tempo de recarga. A escolha faz sentido e reduz a frustração de quem não gosta de gerenciar energia o tempo todo, mas também deixa as lutas menos tensas do que seriam em um Souls-like tradicional.

Os pontos de descanso são divididos entre salvamentos simples e estruturas semelhantes a impressoras 3D, usadas para desbloquear melhorias. Eliminar inimigos e encontrar recursos rende experiência, que pode ser investida em habilidades e atributos como vida máxima ou recuperação de cura. É um sistema direto e funcional, mas pouco profundo.

Os mapas são grandes, e uma tela de mapa está disponível a qualquer momento. Mesmo assim, atravessar as áreas pode se tornar cansativo. Os ambientes têm aparência parecida, a variedade de inimigos não é grande o suficiente e muitas situações são resolvidas da mesma forma. A sensação de percorrer longos corredores combatendo inimigos semelhantes começa a pesar.

O jogo é mais divertido quando coloca o jogador diante de desafios maiores, com inimigos mais resistentes ou grupos capazes de cercar Zola. Nessas situações, a estratégia de simplesmente atravessar o adversário e atacar pelas costas deixa de ser tão segura. Porém, esses momentos também podem se tornar frustrantes, principalmente quando exigem repetir partes longas da área após uma derrota.

No estado atual de Acesso Antecipado, 2nd EVE oferece três áreas, enquanto a versão final deve incluir dez. A campanha já mostra uma fundação razoável, sobretudo para jogadores que procuram um jogo de ação menos punitivo do que os Souls-likes tradicionais. O vídeo da página do Steam representa bem o que esperar: combate lateral, muita corrida pelos cenários e uma progressão baseada em habilidades.

2nd EVE não parece ter identidade forte o bastante para se destacar no meio de tantos jogos de ação sci-fi, mas também não é uma experiência ruim. O combate é competente, a esquiva é satisfatória e a progressão é fácil de acompanhar. Falta variedade, impacto narrativo e motivos reais para mudar de build depois de encontrar uma estratégia eficiente.

Como Acesso Antecipado, é um começo promissor, mas ainda precisa de mais personalidade para justificar a comparação com os grandes nomes do gênero.