Review – Assassins Creed Claws of Awaji (DLC)
O esperado retorno de novos conteúdos ao Assassins Creed Shadow chegou! Confira a nossa análise e o que achamos da expansão.

Voltar para Assassin’s Creed Shadows depois de ter deixado o jogo “esfriar” é como entrar de novo numa casa enorme onde você já morou, mas não pisa há meses: você reconhece os cômodos, mas precisa de alguns minutos para lembrar onde ficam as coisas. Os comandos já não vêm tão automáticos, os sistemas parecem mais cheios do que você lembrava, e os detalhes da história sumiram um pouco da memória.
Claws of Awaji chega justamente para esse momento. É a primeira grande expansão do jogo e, muito provavelmente, a única. Na prática, funciona como um pretexto convincente para se reacostumar a Shadows e, mais do que isso, como um pedaço de conteúdo robusto o bastante para ser confundido com um jogo autônomo de médio porte: foram cerca de 11 horas até ver os créditos da DLC, com direito a algumas das batalhas de chefe mais criativas da série.
História, ilha nova e um foco melhor que o da campanha principal
A expansão só aparece depois que você termina a história principal de Shadows. Carregado o save pós‑créditos, basta voltar para o esconderijo: lá, um novo personagem introduz o gancho que leva à ilha de Awaji. A partir daí, o jogo abre um arco novo que coloca no centro os segredos em torno da mãe da Naoe e a busca por um tesouro que caiu nas mãos de um clã rival recém‑introduzido.
Antes de qualquer coisa, a DLC marca seu tom com uma sequência em forma de teatro de bonecos 2D, estilizada e bem dirigida, que resume o contexto da aventura com uma linguagem quase de fábula sombria. É um contraste interessante com o restante do jogo, e um dos momentos mais marcantes do pacote em termos de estilo.

A trama em si é mais direta do que boa parte da campanha principal. Awaji não foge completamente da estética do Japão continental – ainda são vilarejos, campos, templos, zonas de conflito – mas o recorte menor ajuda. A história se concentra em poucos conflitos bem definidos, aproveita o elenco que você já conhece e dá espaço para a mãe da Naoe se destacar, tanto como figura afetiva quanto como peça importante do drama.
Em alguns pontos a narrativa se alonga além do necessário, algo quase inevitável em uma expansão de 10–12 horas, mas, no geral, o arco é mais coeso e envolvente do que várias linhas da história original. Para quem saiu do jogo base com a sensação de que a trama tinha boas ideias, mas nem sempre grande impacto, Awaji funciona como um ajuste de foco.
Jogabilidade, novo bastão e um Japão mais agressivo
Claws of Awaji não tenta “reinventar” Assassin’s Creed Shadows. A espinha dorsal é a mesma: alternância entre furtividade e confronto direto, exploração em mundo aberto, progressão de equipamentos e habilidades. Mas, dentro dessa base, a DLC mexe em dois pontos que mudam a sensação de jogar: a arma nova da Naoe e o comportamento dos inimigos.
A novidade mais vistosa é o bō, o bastão longo que entra para o arsenal da Naoe. Ele tem um ritmo próprio, baseado em alcance, controle de grupo e alternância rápida entre ataque e defesa. Quem já vinha acostumado às armas padrão precisa reaprender timing e distância. O bastão recompensa quem presta atenção no espaçamento com o inimigo, abrindo brechas para punição sem precisar estar colado em todo mundo.
O outro elemento que se destaca é o tom mais agressivo da expansão. Enquanto você atravessa Awaji, ataques de shinobi são frequentes: emboscadas na estrada, armadilhas, uso pesado de veneno e sangramento. A sensação de perigo em deslocamentos “simples” aumenta bastante. Isso força a cuidar melhor de estoques de cura, a não se distrair com o mapa aberto e a considerar cada travessia como algo que pode virar combate sério a qualquer momento.
O jogo base continua lá, com todas as ferramentas conhecidas, mas o jeito como a ilha reage à sua presença torna a rotina mais tensa, quase sem momentos realmente “mortos”.

Lutas de chefe: criatividade, dificuldade e memorabilidade
O grande destaque de Claws of Awaji, porém, são as boss fights. Elas não se limitam a inimigos com mais vida e dano; boa parte delas explora ideias específicas, mesclando mecânicas de furtividade, leitura de ambiente e paciência.
Uma delas, em particular, gruda na memória. O confronto acontece em um pântano tomado por névoa, silencioso, com visibilidade baixa. Seu alvo não fica parado esperando: muda de posição, provoca à distância, e a única pista consistente é a voz, que você precisa ouvir com atenção para deduzir a direção. Ao mesmo tempo, o cenário está cheio de bonecos espalhados – imitações do inimigo – espalhados para confundir, e um emaranhado de fios e armadilhas sonoras que denunciam sua localização se você se mover sem cuidado.
Essa luta, para mim, foi o ponto em que a DLC mais apertou o parafuso. Tive que repetir a tentativa diversas vezes, ajustar abordagem, recuar, observar melhor, até conseguir avançar. Justamente por isso, a satisfação de finalizar o confronto foi maior do que em muitos chefes do próprio Shadows – e de outros Assassin’s Creed recentes. É o tipo de ideia que aproveita bem o que a série tem de melhor (furtividade, leitura de padrão, uso do cenário) colocando tudo sob uma lente mais experimental.
O restante das batalhas especiais pode não ser tão inventivo quanto esse pântano, mas mantém uma média alta. Há duelos mais tradicionais, confrontos em arena que exigem domínio do bō e encontros que pedem alternância constante entre aproximação discreta e ataque frontal. No conjunto, a DLC entrega uma sequência de chefes que justificam sozinhos o retorno ao jogo.
Conteúdo, progressão e sensação de valor
Em termos de quantidade, Claws of Awaji fica em um ponto muito interessante. São cerca de 11 horas para concluir a trama principal e se envolver com boa parte das atividades paralelas, algo que, na prática, equivale à duração de muitos jogos completos lançados hoje.
O pacote inclui:
- aumento do nível máximo para 100, ampliando a curva de progressão;
- novas armas, conjuntos de armadura e melhorias para o esconderijo;
- missões secundárias na ilha;
- trilhas de descoberta adicionais, desafios de Katas para Yasuke e quests ligadas a armas lendárias.
Nada disso revoluciona a fórmula de Shadows, mas preenche bem o mapa de Awaji e dá conteúdo o bastante para quem quer algo além da linha principal. A expansão nunca chega a parecer um “pacote de missões soltas”; é mais próxima de uma campanha condensada, com bordoada visual de AAA, só que focada em uma região específica.
Para uma DLC, isso pesa bastante na sensação de custo‑benefício. Não é aquele caso em que você termina em duas ou três horas e nunca mais pensa no assunto.
Visual, som e familiaridade geral
No aspecto técnico, Claws of Awaji mantém o padrão alto de Shadows. A engine continua entregando cenários belíssimos, com um sistema de clima e iluminação que faz diferença na hora de subir em um ponto de sincronização e olhar o horizonte. A ilha tem seus momentos próprios, com composições de luz, tempestades e mudanças de tempo que destacam bem a paisagem.
O teatro de marionetes que abre a DLC é, talvez, o momento mais “autorais” aqui: uma quebra estilística proposital, que usa estética 2D para contextualizar uma história contada até então em 3D. È um respiro visual interessante e mostra que ainda há espaço para brincar dentro da linguagem da série.

Na parte sonora, nada de ruptura: a trilha segue o caminho estabelecido pelo jogo base, mesclando instrumentos tradicionais e clima de tensão. Os efeitos continuam muito bem construídos, e o elenco de vozes segura bem o novo material. Se há faixas inéditas específicas da DLC, elas se integram tão bem que não chamam atenção como um adendo óbvio – o que, nesse caso, é um ponto a favor.
Vale a pena?
Assassin’s Creed Shadows: Claws of Awaji não é uma expansão que muda sua relação com o jogo base, mas é exatamente o tipo de conteúdo adicional que justifica tirar o título da estante digital. A nova história é mais focada e interessante do que vários trechos da campanha principal, o tom mais agressivo dos encontros renova a forma como você encara a exploração, e as batalhas de chefe entram tranquilamente para a lista dos momentos mais marcantes da fase japonesa da franquia.
Faltam grandes mecânicas inéditas? Sim. Em determinados trechos, o ritmo ainda escorrega. Mas, colocando tudo na balança – a duração próxima de um jogo completo, a qualidade dos confrontos, a boa utilização de Naoe e sua mãe como eixo dramático –, Claws of Awaji se sustenta com sobra.
Se esse for o último suspiro de Shadows em termos de DLC, é um encerramento forte. Para quem já terminou o jogo base e estava só esperando um motivo convincente pra voltar, essa expansão é exatamente isso.
Agradecimento a Ubisoft Brasil que nos enviou acesso à expansão para a produção dessa review!







