Primeiramente eu gostaria de abrir essa review ressaltando que essa se trata de uma análise do BETA de Call of Duty: Modern Warfare 4, portanto, muita coisa pode mudar até o lançamento final do game em outubro. Então, não adotaremos a nossa tradicional estrutura de “veredito” e de “score” por se tratar de um jogo que ainda estamos com uma build provisória. A review final de MW4 será publicada mais próximo ao lançamento do game.
Depois de mais de vinte anos recebendo lançamentos quase anuais, Call of Duty continua vivendo uma situação curiosa. A franquia é grande demais para passar despercebida, mas também carrega um peso enorme a cada novo capítulo. Sempre haverá milhões de jogadores prontos para entrar no multiplayer no primeiro dia, e sempre haverá uma parcela do público dizendo que a série perdeu sua identidade, exagerou na velocidade ou não mudou o bastante.
Modern Warfare 4 chega em um momento particularmente delicado. Black Ops 7 não alcançou a recepção que a Activision esperava, outros jogos de tiro disputam a atenção do público e a indústria já se prepara para um ano marcado pela chegada de Grand Theft Auto 6. Ser apenas mais um Call of Duty não parece suficiente.

A boa notícia é que a beta aberta deixa uma impressão bastante positiva. Modern Warfare 4 não tenta resolver a longevidade da franquia inventando um novo gênero ou abandonando tudo que a tornou popular. Ele se concentra em fazer o básico funcionar bem: armas com bom impacto, mapas desenhados para confrontos constantes, objetivos conhecidos e uma campanha que parece abraçar sem vergonha o espetáculo exagerado que sempre combinou com a série.
Ainda é cedo para tratar a beta como uma avaliação definitiva do jogo completo. Há apenas uma missão da campanha disponível e uma seleção limitada de conteúdos multiplayer. Mesmo assim, o material liberado aponta para um retorno mais confiante, rápido e divertido.
Uma campanha que já começa com tudo explodindo
Pela primeira vez em uma beta da franquia, a Activision incluiu uma missão da campanha. A escolha foi acertada. “Entrenched” não tenta apresentar uma experiência lenta ou cheia de mistério. Ela já começa colocando o jogador em uma trincheira contra forças norte coreanas, antes de levar a ação para uma usina de energia onde tudo naturalmente piora.
Há um reator perto de entrar em colapso, uma corrida para evitar o desastre e uma fuga em meio a estruturas desabando. É uma sequência barulhenta, exagerada e completamente comprometida com a ideia de que qualquer crise internacional pode ficar ainda maior em poucos minutos.
Esse tipo de missão é exatamente o que se espera de uma campanha de Modern Warfare. Não há tentativa de parecer discreto ou realista demais. O jogo quer entregar tiros, explosões, ordens gritadas no rádio, corredores destruídos e uma situação que sai do controle com velocidade impressionante.
Mesmo sendo apenas uma pequena parte da campanha, “Entrenched” cumpre bem a função de abrir o apetite para o restante. A missão tem ritmo, escala e aquele senso de absurdo que Call of Duty sempre soube usar quando está em sua melhor forma. Ela lembra que a série funciona muito bem quando entende que é um grande filme de ação jogável.
O multiplayer não espera ninguém se adaptar
A palavra que melhor define o multiplayer de Modern Warfare 4 é velocidade. Não se trata apenas de correr rápido de um ponto ao outro. As partidas parecem construídas para eliminar qualquer intervalo entre um confronto e outro. O jogador nasce, procura um inimigo, encontra tiros, tenta reagir, morre e volta imediatamente para o campo.

É um ciclo intenso. Em alguns momentos, ele gera aquela satisfação clássica de virar uma esquina, surpreender dois adversários e eliminar ambos antes que percebam o que aconteceu. Em outros, o jogador atravessa um corredor por poucos segundos e cai após receber tiros disparados de um ponto que mal conseguiu identificar.
A beta deixa claro que Modern Warfare 4 não será um Call of Duty para jogar de forma distraída. Atenção constante, reflexos e leitura rápida do cenário fazem diferença em praticamente todas as partidas. Depois de uma hora, é fácil perceber como o jogo prende a concentração. Quase não existe espaço para olhar para outro lugar, porque uma ameaça pode surgir de qualquer janela, corredor, telhado ou passagem lateral.
Essa pressão pode afastar quem procura um shooter mais cadenciado, mas combina com a proposta. Call of Duty sempre teve partidas rápidas, porém Modern Warfare 4 parece querer levar esse ritmo a um nível ainda mais agressivo.
A movimentação mudou, mas continua acrobática
O sistema de omni movement de Black Ops 6 não está presente, mas isso não significa que os soldados passaram a se mover de maneira mais contida. Pelo contrário. Ainda é possível deslizar pelas esquinas, escalar obstáculos, atravessar janelas e usar o cenário com uma agilidade que, em certas situações, deixa os operadores militares parecendo atletas de uma competição acrobática armada.
A movimentação certamente será uma das maiores discussões até o lançamento. Em mãos experientes, ela permite escapar de tiros, mudar de direção rapidamente e transformar o cenário em uma extensão do combate. Há jogadores que já conseguem deslizar, pular, reposicionar e acertar disparos em poucos segundos, criando confrontos quase impossíveis de acompanhar para quem ainda está aprendendo.
A questão é se essa velocidade extrema é resultado de um sistema que ainda precisa de ajustes ou apenas da diferença entre jogadores que já dominaram os movimentos e aqueles que ainda estão tentando entender o que aconteceu. A beta não responde isso de forma definitiva, mas mostra que a curva de aprendizado pode ser mais dura do que em capítulos anteriores.
Para quem gosta de dominar mecânicas de mobilidade, há bastante espaço para evoluir. Para quem prefere uma experiência mais tradicional, talvez seja necessário algum tempo até se acostumar com o novo ritmo.
Mapas pequenos, variados e feitos para manter a ação viva
A seleção de mapas apresentada na beta acerta ao variar os cenários sem abandonar a escala compacta que favorece Call of Duty. Eles não parecem construídos para longos períodos de observação ou para partidas lentas. São arenas com múltiplas rotas, ângulos perigosos e caminhos que colocam os jogadores em contato rapidamente.

Silkworm leva os confrontos para uma área urbana na Coreia do Sul, com lojas, becos e espaços onde o combate pode mudar de distância em poucos passos. É um mapa que favorece aproximações rápidas e exige atenção aos flancos.
Transit 213 tem uma proposta diferente, com linhas de visão mais abertas em um depósito de transporte. Quem usa rifles de precisão encontra boas oportunidades ali. Já quem tenta atravessar áreas expostas sem planejamento provavelmente terá uma experiência menos agradável.
Rooftops é o mapa que mais chama atenção. O cenário une dois prédios antigos de Nova York em uma arena cheia de níveis diferentes, áreas de manutenção, lavanderias, maquinário e passagens elevadas. É o tipo de mapa que mantém uma tensão constante porque sempre existe a chance de alguém estar acima, abaixo ou escondido em um espaço lateral.
A leitura dos mapas parece boa, mas eles também reforçam a exigência do multiplayer. Saber de onde um adversário pode aparecer é essencial, especialmente quando a movimentação permite que jogadores experientes atravessem rotas com velocidade absurda.
Novos equipamentos ajudam a criar espaço no caos
Os equipamentos novos não reinventam a estrutura das partidas, mas adicionam ferramentas úteis para lidar com o ritmo acelerado. A Smoke Wall cria uma barreira de fumaça, servindo para esconder deslocamentos, cortar linhas de visão e permitir avanços mais seguros por áreas abertas.
O arame farpado também entra como recurso de controle territorial. Ele desacelera quem tenta atravessar determinado ponto e pode ser usado para dificultar investidas inimigas. Em partidas tão rápidas, qualquer segundo extra pode ser suficiente para reorganizar a defesa ou preparar uma emboscada.
Os killstreaks seguem a tradição de recompensar bons desempenhos consecutivos. O Artillery Beacon permite marcar uma área para receber um ataque de mísseis, enquanto Wheelson coloca o jogador no controle de um pequeno veículo armado com lançador de granadas.
São recursos que parecem divertidos, embora exijam uma sequência de eliminações sem morrer para serem conquistados. Em uma beta tão veloz e competitiva, alcançar esse tipo de recompensa pode ser mais difícil para quem ainda está entendendo os mapas e a movimentação.
Modos conhecidos e uma nova dose de confusão
A beta mantém os pilares do multiplayer da franquia. Team Deathmatch, Domination e Kill Confirmed continuam presentes, oferecendo o tipo de partida que qualquer jogador de Call of Duty reconhece imediatamente.
A novidade é Kill Block, um modo 10 contra 10 em uma área de treinamento cuja estrutura muda entre as rodadas. A ideia combina com a proposta geral de Modern Warfare 4: elevar o número jogadores, diminuir o tempo de respiro e transformar cada partida em um conflito muito mais caótico do que o normal.

A experiência não parece pensada para quem prefere controlar cada detalhe com calma. Kill Block abraça a confusão, com confrontos surgindo de todos os lados e uma necessidade ainda maior de adaptação. Pode não ser o modo ideal para aprender os fundamentos, mas tem potencial para se tornar uma boa opção para quem quer partidas intensas e imprevisíveis.
A beta de Call of Duty: Modern Warfare 4 deixa uma impressão forte. A missão da campanha recupera o espírito de espetáculo exagerado que a série sempre fez bem, enquanto o multiplayer entrega mapas interessantes, armamento satisfatório e uma velocidade que torna difícil sair depois de apenas uma partida.
A movimentação é o ponto que mais deve gerar debate. Ela mantém o jogo dinâmico e oferece espaço para jogadores habilidosos brilharem, mas também torna as partidas bastante exigentes. Quem ainda não dominou deslizes, saltos e mudanças rápidas de direção pode se sentir perdido diante de adversários muito mais acostumados ao novo ritmo.
Mesmo assim, a base parece sólida. Modern Warfare 4 não tenta mudar a fórmula por completo. Em vez disso, parece focado em recuperar aquilo que torna Call of Duty tão difícil de largar: partidas rápidas, mapas que empurram o jogador para a ação e a sensação de que sempre existe uma chance de fazer uma jogada melhor na próxima rodada.
Como impressão de beta, o resultado é muito promissor. O jogo completo chega em 23 de outubro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2.



