Review: Fallen Tear: Ascension tem alma de grande metroidvania, mas ainda precisa amadurecer

Fallen Tear: Ascension chama atenção de imediato pela combinação entre exploração de metroidvania e sistemas inspirados em JRPGs. A proposta é ambiciosa: um mundo grande para explorar, aliados recrutáveis, habilidades desbloqueáveis, missões de caça, melhorias de personagem e uma narrativa de fantasia marcada por corrupção, criaturas estranhas e deuses caídos.

O prólogo apresenta uma criatura negra em uma breve sequência de plataforma e combate. Logo depois, o jogador acorda como Hiro, um jovem que se prepara para iniciar seu treinamento como caçador ao lado do irmão. O que deveria ser um dia comum se transforma em tragédia quando um ataque misterioso atinge sua região.

Hiro desmaia durante o retorno à vila e, ao despertar, encontra o lugar destruído. Sua mãe e seu irmão desapareceram, e os sobreviventes o culpam pelo desastre. Sem lembrar do que aconteceu, ele parte em busca da família enquanto tenta entender sua conexão com a escuridão que tomou Raoah.

É uma abertura eficiente. A motivação de Hiro é clara, o conflito pessoal é forte e o mundo parece ter segredos suficientes para sustentar uma longa jornada. O problema é que a narrativa perde força com o tempo. Depois de um começo impactante, alguns acontecimentos ficam pouco marcados e certos elementos acabam se diluindo durante a exploração.

Exploração que incentiva a curiosidade

O lado metroidvania segue uma estrutura bastante reconhecível. Há passagens bloqueadas, áreas secretas, caminhos que exigem habilidades específicas e melhorias que ampliam as opções de movimentação. A base funciona bem porque o design dos cenários é forte, com mapas que convidam o jogador a olhar para cada canto.

É fácil cair na armadilha de explorar apenas mais uma área antes de encerrar a sessão. Raoah tem um senso de descoberta que funciona especialmente bem quando a busca por um objetivo principal se mistura a pequenos desvios, tesouros, NPCs e novas rotas.

O mapa evolui junto com o progresso, e a presença de diário e diretório de ajuda mostra uma tentativa clara de apoiar o jogador. Porém, o jogo ainda falha em comunicar informações importantes. Entradas bloqueadas não são destacadas no mapa, personagens que aguardam determinados itens ou habilidades não recebem marcação e certas missões podem avançar sem que o jogador perceba que já possui a ferramenta necessária.

Isso cria momentos de exploração que deixam de ser misteriosos e se tornam apenas confusos. Encontrar por acaso um NPC e descobrir que Hiro carregava um item importante sem saber pode parecer uma surpresa agradável uma vez, mas também evidencia a falta de clareza do sistema de objetivos.

Laços que dão personalidade ao combate

A mecânica mais interessante de Fallen Tear: Ascension são os Fated Bonds. Ao conhecer personagens pelo mundo, Hiro pode recrutá-los para sua equipe e usar habilidades especiais associadas a cada aliado.

Bjorn, por exemplo, arremessa uma frigideira aquecida que causa dano e aplica queimadura. Efiker pode prender inimigos ao redor de Hiro, impedindo seu movimento por alguns segundos. Esses poderes trazem variedade ao combate e ajudam a tornar os encontros mais dinâmicos do que em muitos metroidvanias tradicionais.

Recrutar aliados também concede pontos de confiança. Ao acumular o suficiente, Hiro pode desbloquear novas Ascensions, habilidades que normalmente seriam conquistadas em uma ordem fixa em jogos do gênero. Aqui, o jogador escolhe qual poder adquirir, desde que tenha pontos necessários.

A liberdade é bem-vinda, mas as habilidades disponíveis ainda são pouco ousadas. Pulo duplo, dash, ataque carregado e salto carregado são úteis e essenciais para o avanço, porém seguem um caminho muito conhecido. Em um mundo com magia, criaturas fantásticas e um sistema de aliados tão promissor, seria interessante ver poderes mais ligados à identidade de Raoah.

Caçadas tornam o progresso mais ativo

O sistema de caçadas complementa bem a exploração. Hiro pode aceitar contratos em quadros espalhados pelo mapa, derrotando criaturas específicas em troca de Fated Points. Esses pontos são usados para liberar melhorias de ataque, defesa e vida.

É um mecanismo simples, mas eficiente. Em vez de apenas ignorar inimigos comuns ao longo do caminho, o jogador tem um motivo para enfrentá-los e completar objetivos de caça. Isso ajuda a tornar o combate recompensador fora das batalhas obrigatórias e reforça o papel de Hiro como caçador em treinamento.

A progressão por porcentagens talvez não seja muito criativa, mas funciona bem dentro da estrutura geral. Ela oferece um incentivo constante para continuar lutando e dá alguma personalização ao desenvolvimento do personagem.

Arte e apresentação carregam muito do encanto

Visualmente, Fallen Tear: Ascension é muito bonito. A animação feita à mão dá vida ao mundo e aos personagens, com Hiro se destacando pela expressividade de seus movimentos. Os inimigos também possuem animações detalhadas, o que ajuda os combates a parecerem vivos e bem coreografados.

A dublagem é outro ponto positivo. Os personagens têm energia e presença, enquanto os cenários conseguem vender a ideia de uma terra fantástica ameaçada por uma corrupção crescente. Quando todos os elementos funcionam juntos, o jogo entrega uma atmosfera muito convidativa.

É justamente por causa dessa qualidade artística que seus problemas técnicos chamam tanta atenção.

Um Acesso Antecipado que ainda parece cedo demais

Apesar do enorme potencial, Fallen Tear: Ascension parece entrar no Acesso Antecipado antes de estar suficientemente estável. Existem transições bruscas, áreas sem música, efeitos sonoros ausentes, quedas de desempenho e travamentos.

Alguns erros são mais sérios. Em certas viagens rápidas, Hiro pode reaparecer preso dentro do chão ou abaixo do cenário, sem maneira de sair além de recarregar o jogo. Também há relatos de pontos de confiança sendo descontados de forma incorreta, além de congelamentos temporários e encerramentos inesperados.

O evento da Lua de Sangue também precisa de melhor comunicação. Periodicamente, inimigos se tornam mais fortes e versões de elite aparecem por portais, mas o jogo não prepara adequadamente o jogador para isso. Sem aviso claro ou explicação, a mudança parece aleatória e pouco agradável. Em vez de criar tensão, acaba parecendo uma interrupção longa e confusa.

Essas são exatamente as questões que o Acesso Antecipado deveria ajudar a resolver. No entanto, o estado atual sugere que o projeto poderia se beneficiar de mais tempo de desenvolvimento antes de pedir investimento do público.

Conclusão

Fallen Tear: Ascension tem uma base excelente. A exploração é envolvente, o mundo é bonito, os Fated Bonds adicionam personalidade ao combate e as caçadas incentivam o jogador a se engajar com os inimigos. A mistura entre metroidvania e JRPG funciona muito melhor do que poderia parecer à primeira vista.

Mas, no momento, a experiência ainda é irregular. A narrativa perde impacto depois de uma abertura forte, a comunicação com o jogador precisa melhorar e os problemas técnicos são frequentes demais para um jogo pago em Acesso Antecipado.

O potencial é enorme. Com correções, melhor orientação no mapa, mais estabilidade e maior criatividade nas habilidades desbloqueáveis, Fallen Tear: Ascension pode se tornar uma aventura de destaque no gênero. Por enquanto, é um projeto muito promissor que parece mais seguro acompanhar de longe do que comprar imediatamente.

7Bom
Veredito

Bom

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