A comparação é inevitável e, pela primeira vez em muito tempo, ela não parece exagerada: Forefront é Battlefield em realidade virtual.
Há mapas grandes, 32 jogadores, objetivos no estilo Conquest, avanços inspirados em Rush, quatro classes, tanques, veículos blindados, jipes, quadriciclos, helicópteros, prédios destrutíveis, RPGs cruzando o céu e comunicação por voz de proximidade. É uma proposta ambiciosa para qualquer shooter multiplayer, ainda mais para um título rodando diretamente no Meta Quest 3.
E o mais impressionante é que funciona.
Não se trata apenas de “bom para um jogo de Quest”. Forefront entrega momentos de guerra multiplayer que parecem tecnicamente improváveis em um headset independente. Tanques avançam pelas ruas e atravessam construções, helicópteros duelam no alto enquanto soldados tentam travá-los com mísseis, jogadores correm entre objetivos e explosões transformam o campo de batalha em um caos constante.
É barulhento, exagerado, desorganizado e muito divertido.
“Só acontece em Forefront”
Os melhores momentos de Forefront não são planejados. Eles surgem naturalmente durante uma partida.
Um helicóptero Apache e um Minibird entram em combate acima do mapa enquanto jogadores em solo tentam derrubá-los. Um tanque atravessa uma vila e destrói o prédio que servia de cobertura segundos antes. Um jogador acelera com um quadriciclo, salta no último instante e detona C4 preso ao veículo, transformando-o em uma bomba improvisada sobre rodas.
É o tipo de caos emergente que tornou Battlefield tão memorável. Forefront já tem sua própria versão dessa sensação: momentos tão absurdos que parecem roteirizados, mas aconteceram porque um grupo de pessoas decidiu improvisar no meio da guerra.
Essa é a maior qualidade do jogo. Ele cria espaço para histórias inesperadas.
Quatro classes mantêm a bagunça organizada
O sistema de classes é simples e eficiente. Existem quatro opções principais:
Assault: ideal para manter pressão sobre objetivos e permanecer na linha de frente; Medic: essencial para manter aliados vivos e sustentar o avanço da equipe; Engineer: muito importante devido à presença constante de veículos; Recon: focado em combate a longa distância, observação e eliminação de alvos estratégicos.
Cada classe tem gadgets e perks que incentivam estilos diferentes sem complicar demais as partidas. Forefront entende que, em uma guerra tão caótica, as funções precisam ser fáceis de identificar.
O jogador pode correr para um ponto com Assault, manter aliados ativos como Medic, impedir que tanques dominem o mapa usando Engineer ou observar o movimento inimigo de longe com Recon. A estrutura não é revolucionária, mas funciona porque dá propósito a cada tipo de jogador.
Tiros são ótimos e melhoram com os acessórios
O tiroteio é um dos pontos altos. As armas têm bom peso, recuo satisfatório e uma resposta física que combina com a realidade virtual. Mirar com a arma, alternar entre coberturas, acompanhar um alvo e recarregar sob pressão são ações que funcionam bem.
No começo, alguns fuzis podem parecer um pouco imprecisos ou soltos. Mas isso melhora conforme acessórios são desbloqueados. Empunhaduras, miras ópticas e lasers mudam de forma perceptível o comportamento das armas.
A progressão é direta:
- Jogar partidas;
- Conseguir eliminações e experiência;
- Subir de nível;
- Liberar armas novas;
- Desbloquear acessórios para essas armas.
Forefront não tenta esconder sua progressão sob dezenas de moedas, menus confusos ou sistemas artificiais. O loop é simples: jogar bem, ganhar experiência e melhorar o arsenal.
Como a base do combate já é boa, buscar a próxima mira ou empunhadura realmente parece valer a pena.
Veículos são espetaculares e ainda desequilibrados
Veículos fazem uma diferença enorme nas partidas. Tanques são poderosos, jipes e quadriciclos ajudam a cruzar o mapa rapidamente, e helicópteros podem mudar completamente o rumo de uma rodada.
Pilotar é surpreendentemente acessível. É possível usar os analógicos ou agarrar os controles de voo dentro do próprio cockpit, recurso adicionado na atualização 1.0. Essa segunda opção combina muito bem com VR e torna a pilotagem mais natural.
Um piloto habilidoso pode controlar áreas inteiras do mapa. E é aí que começam os problemas.
Os veículos reaparecem rápido demais. Destruir um tanque, blindado ou helicóptero muitas vezes parece apenas abrir espaço para outro surgir logo depois. Isso mantém a partida agitada, mas não dá tempo suficiente para a infantaria respirar.
O maior problema está nos helicópteros. Em certos mapas, especialmente em áreas abertas ou ilhas, um Apache e um Minibird podem dominar pontos de surgimento e tornar a vida da equipe inimiga extremamente frustrante.
As ferramentas para reagir existem: RPGs e lançadores com travamento de alvo. Porém, os sinalizadores dos helicópteros parecem recarregar rápido demais. Quando o jogador consegue recarregar, travar novamente o alvo e tentar um novo disparo, o piloto muitas vezes já está pronto para evitar o míssil outra vez.
O equilíbrio entre poder aéreo e defesa antiaérea ainda precisa de bastante trabalho.
Algumas interações de VR precisam ser mais naturais
Forefront acerta bastante na sensação de usar armas, mas algumas decisões de interação parecem restritivas.
O jogador só consegue segurar um item ou arma por vez. Isso soa pequeno, mas em VR é estranho. Se o fuzil fica sem munição, seria natural segurá-lo com uma mão e sacar a pistola com a outra. O jogo não permite isso.
Essa limitação quebra um pouco a sensação física que a realidade virtual deveria proporcionar. Poder manipular arma primária e secundária de forma mais livre deixaria confrontos curtos mais dinâmicos.
Granadas e C4 também são um pouco incômodos. A forma de mirar e lançar granadas não parece intuitiva, enquanto o C4 exige uma manipulação com a mão esquerda que pode causar confusão nos primeiros usos.
Nada disso destrói a experiência, mas são pequenas fricções que ficam mais evidentes em VR do que ficariam em um shooter tradicional.
Falta informação tática em partidas tão caóticas
Forefront aposta bastante em imersão, mas exagera um pouco ao limitar informações básicas.
Não há minimapa adequado, bússola ou uma forma eficiente de entender rapidamente onde estão objetivos, aliados e ameaças. Em uma partida de 32 jogadores com veículos e múltiplos confrontos simultâneos, isso pode ser um problema.
A leitura visual do ambiente é importante, mas nem sempre é suficiente. Um mapa tático em um tablet virtual ou no pulso do jogador seria uma solução perfeita. Ele poderia mostrar:
Objetivos ativos; Posições de aliados; Direção geral de ameaças; Inimigos marcados pela equipe; Situação de veículos e pontos de controle.
Isso manteria a imersão sem transformar o jogo em uma interface flutuante cheia de ícones.
Som e bugs ainda seguram o potencial do jogo
O design de áudio precisa melhorar, principalmente nos passos. Em combates próximos, é difícil perceber um inimigo correndo até uma esquina antes que ele já esteja na frente do jogador.
Isso torna muitos confrontos uma questão de quem vê o outro primeiro, e não de quem escuta, reage e se posiciona melhor. Para um shooter competitivo, essa falta de consciência sonora é um problema relevante.
O chat de voz por proximidade, por outro lado, é excelente. Ele aumenta muito a sensação de estar em uma batalha caótica. Jogadores gritando ordens, pedindo ajuda ou comemorando explosões absurdas ajudam a criar a atmosfera de guerra.
Seria útil, porém, identificar visualmente quem está falando. Ter de abrir o placar para descobrir se uma voz é aliada ou inimiga interrompe o fluxo.
Também há bugs típicos de um multiplayer grande em lançamento. Entre os problemas encontrados estão:
Jogadores invisíveis; Corpos ou modelos que permanecem no cenário após a morte; Clarões de disparos presos no mapa; Armas que parecem disparar automaticamente em efeitos visuais e sonoros, mesmo sem o jogador atirar.
Esses erros não destroem a diversão, mas deixam claro que Forefront ainda precisa de polimento.
Vale a pena?
Forefront já entrega algo raro em VR: partidas multiplayer em grande escala que realmente passam a sensação de guerra total. O jogo tem mapas grandes, destruição, veículos, classes e momentos emergentes que poucos títulos conseguem reproduzir.
O mais impressionante é que isso funciona em Meta Quest 3. Ver tanques atravessando prédios, helicópteros sobrevoando objetivos e dezenas de jogadores lutando ao mesmo tempo em um headset independente é genuinamente surpreendente.
Ainda há problemas importantes de equilíbrio, especialmente com helicópteros e frequência de reaparecimento de veículos. A falta de minimapa, bússola e bons sons de passos também prejudica a experiência competitiva. Além disso, algumas interações físicas precisam ser refinadas.
Mas Forefront já acertou a parte mais difícil: ele é divertido. Muito divertido.
Com ajustes em balanceamento, informação tática, áudio, interações e estabilidade, Forefront pode se tornar não apenas um dos melhores shooters multiplayer para Quest, mas um dos melhores shooters em realidade virtual.



