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12 de Março de 2026
Game Reviews

Review – Marathon

Marathon é o novo extraction shooter da Bungie! Jogamos e te contamos o que nós achamos do game.

  • março 11, 2026
  • 9 min read
Review – Marathon

Sou bem suspeito pra falar de Marathon: adoro jogos de extração e, desde que ARC Raiders reacendeu o gênero pra mim, eu estava de volta no hype de passar horas entrando em mapa, pegando loot, suando frio pra conseguir extrair vivo. Somado a isso, é um projeto da Bungie, estúdio que sempre tratei como sinônimo de responsabilidade com jogabilidade e suporte a longo prazo. E, claro, sou fã de Destiny há anos – o que automaticamente elevou meu nível de expectativa lá pra estratosfera.

Com esse combo, o medo era óbvio: “e se Marathon for só mais um FPS genérico com a etiqueta Bungie colada na capa?”. Felizmente, depois de várias sessões no PC, o sentimento é exatamente o oposto. Marathon é um jogo de extração com identidade própria, cheio de decisões interessantes de design, um mundo sci‑fi distópico que dá vontade de explorar e um loop de jogo que te prende no clássico “só mais uma run” por horas.

Um mundo distópico que dá vontade de morrer (e voltar) ali mesmo

Marathon é um extraction shooter PvPvE em primeira pessoa, ambientado em um cenário sci‑fi distópico tomado por estruturas industriais, neons estranhos e robôs assassinos patrulhando cada canto. Você entra como um “Runner”, desce no mapa para vasculhar instalações, enfrentar bots e outros jogadores, pegar o máximo de loot possível… e tentar sair vivo. Se der certo, volta pro hub mais rico, melhor equipado e com mais possibilidades. Se der errado, perde praticamente tudo.

O mapa em si é um dos grandes personagens do jogo. A forma como ele é construído favorece tanto flancos e emboscadas quanto rotas de fuga desesperadas. Cada setor tem sua própria “personalidade”: áreas internas apertadas onde qualquer barulho denuncia sua posição, espaços abertos em que você se sente exposto demais, zonas mais verticais que pedem atenção redobrada a ângulos e som de passos. A presença de robôs hostis espalhados pelo cenário não parece um mero enfeite; eles estão lá pra quebrar seu plano perfeito, punir precipitação e, principalmente, adicionar mais uma camada de risco quando você está de olho em outro esquadrão.

Esse equilíbrio entre o perigo gerado por IA e o perigo representado por outros jogadores é um dos motivos pelos quais Marathon não soa como um clone genérico de outros jogos do gênero. Sempre há uma sensação de ameaça em segundo plano, mesmo quando você não está atirando em ninguém.

Game design e gunplay: o DNA Bungie em cada tiro

Se tem algo que a Bungie raramente erra, é tiro. E em Marathon isso fica evidente desde o primeiro confronto. A resposta das armas, o recuo, a sensação de impacto, o som de cada disparo e o comportamento dos projéteis formam um conjunto que é, sem exagero, viciante.

Cada arma tem personalidade própria: tempo de recarga, cadência, dano, comportamento da mira… nada parece genérico ou “copiado e colado” entre elas. Trocar de arma não é só mudar o número de dano, mas adotar um estilo de engajamento diferente. A forma como os inimigos – humanos e robôs – reagem a tiros bem colocados é extremamente satisfatória: você sente quando acertou a cabeça, quando desmontou totalmente a cobertura do adversário, quando forçou alguém a recuar por puro suprimente. É aquele tipo de gunplay em que mesmo morrer pode ser divertido, porque o combate em si é bom demais.

design de encontros acompanha essa qualidade. Os tiroteios raramente são só “duas pessoas paradas em corredor trocando bala”. A verticalidade do mapa, a distribuição de cobertura, linhas de visão e rota de extração forçam micro-decisões o tempo todo: vale a pena perseguir esse time até a zona de extração? É melhor rotacionar e surpreender por cima? Compensa gastar um item forte em um grupo de IA agora ou guardar pro próximo encontro com players? Marathon entende bem o que torna um extraction shooter tenso: não é só a dificuldade de matar alguém, mas tudo o que está em jogo em cada decisão.

Estilo visual: um Animatrix em forma de FPS

Um ponto que me pegou de surpresa – e de um jeito muito bom – foi a direção de arte. Marathon tem um visual que me lembrou demais Animatrix: aquele sci‑fi estilizado, experimental, com traços quase “animados” em alguns momentos, misturando elementos futuristas com um clima sujo e agressivo. Não é um sci‑fi “limpinho e corporativo”; é um mundo estranho, fragmentado, cheio de símbolos e cores fortes.

Os personagens, os menus, a própria interface e até as artes de divulgação vão nessa linha. Nada parece genérico ou sem identidade. Até navegar em menu aqui tem personalidade: tipografia, animações, transições – tudo dá a sensação de um produto audiovisual pensado como um todo, não apenas um “HUD qualquer colado em cima de um shooter”. Pra mim, associar esse estilo a algo como Animatrix é um elogio enorme, e Marathon merece.

Essa identidade visual também ajuda o jogo a se distanciar de outros títulos de extração que apostam em realismo militar ou em sci‑fi mais “padrão”. Aqui, o mundo parece parte de um universo maior, estranho, cheio de história e mistério. Isso faz diferença quando você está repetindo runs, porque a ambientação não cansa tão rápido.

Loop de extração que dá vontade de repetir

O coração de qualquer extraction shooter é o loop de risco e recompensa – e em Marathon ele funciona bem. A dinâmica é simples de explicar e difícil de largar: entrar, vasculhar, lutar, pegar recursos, decidir quando é a hora de correr pra extração, respirar aliviado… e repetir.

Marathon acerta em alguns detalhes importantes:

  • Sempre há algo relevante pra pegar, seja equipamento, recursos pra melhorar seu Runner ou itens valiosos pra vender.
  • O jogo faz você pensar não só em “ganhar o combate”, mas também em como sair daquele combate ainda em condições de chegar vivo na saída.
  • Existe uma sensação clara de progresso entre runs, que ajuda a aliviar um pouco a frustração quando uma missão dá completamente errado.

Comparado com outros jogos do gênero, ele pende mais para o lado PvP forte com PvE como fator de pressão, o que conversa muito com quem gosta de tiroteio tenso entre squads. O mapa sempre oferece múltiplas oportunidades para cruzar com outros jogadores, mas sem cair no caos absoluto de “todo mundo se encontrando o tempo todo”. O ritmo é bom: tem momentos de calmaria tensa, tem emboscada, tem troca de tiro que te faz suar a mão no mouse.

Preço, live service e o dilema do modelo de negócio

Nem tudo, porém, é tiro perfeito. O ponto em que Marathon mais me incomoda não está dentro do mapa, mas na forma como ele é vendido.

O jogo chega com um preço de entrada relativamente acessível para um AAA, o que em outros tempos seria totalmente aceitável. Mas, ao mesmo tempo, ele é um live service declarado, com estrutura pensada para temporadas, passes e atualizações constantes. E embora os passes de temporada tragam apenas itens cosméticos, o pacote como um todo ainda me deixa com o pé atrás.

Pessoalmente, tenho uma posição bem clara:
se a proposta é ser um jogo como serviço, com monetização contínua baseada em cosméticos, o ideal seria que o acesso base fosse gratuito. Você cresce a base de jogadores, aumenta a rotatividade em lobbies e permite que o modelo de negócio se sustente pelo próprio engajamento. Cobrar entrada e ainda construir tudo em volta de um ecossistema contínuo de passes e itens estéticos me soa como uma barreira desnecessária, especialmente em um gênero onde o tempo de aprendizado é alto e o público pode ser volátil.

É uma crítica que já faço a outros jogos também – Helldivers 2, por exemplo, na minha visão cai no mesmo problema. Não que o preço seja abusivo isoladamente, mas o modelo híbrido “pago + live service” me parece menos saudável do que poderia ser, principalmente a longo prazo. Ainda assim, isso não apaga o que Marathon entrega quando você está efetivamente jogando.

Vale a pena?

Marathon chega em um cenário onde o gênero de extração já tem alguns pesos pesados e muita gente desconfiada de novos experimentos. Eu mesmo fui testar com aquele medo clássico de encontrar um shooter genérico com nome forte na capa. O que encontrei foi justamente o contrário: um jogo com identidade, um mapa distópico cheio de personalidade e robôs assassinos, um game design afiado e um gunplay digno da Bungie, que faz cada confronto parecer importante.

A parte artística, com forte inspiração em animações sci‑fi mais ousadas (como Animatrix), ajuda a cravar o jogo na memória. E o loop de entrar, arriscar, lutar, saquear e extrair te prende com facilidade, especialmente se você já é fã do gênero de extração e sempre curtiu a “mão” da Bungie pra criar mundos e tiroteios.

O modelo de negócio, por outro lado, continua sendo meu ponto de discordância: em um cenário de live services, eu preferiria ver Marathon como um jogo gratuito sustentado por cosméticos, em vez de uma entrada paga com estrutura de serviço constante. Isso não estraga o que o jogo faz bem, mas certamente impede que eu o recomende com entusiasmo irrestrito para todo mundo.

Ainda assim, olhando para o conjunto, Marathon se prova longe de genérico. É um dos títulos de extração mais interessantes da atualidade e, sobretudo, um jogo que realmente dá vontade de jogar por muitas horas, testar builds, aprender o mapa e voltar pra mais uma run, mesmo depois de perder tudo.

8

Bom

Um extraction shooter original, com gunplay brilhante e estilo marcante; esbarra no modelo de negócio, mas acerta em praticamente tudo que acontece dentro do mapa.

Plataformas:

PCXboxPlayStation
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Rodrigo Medina