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16 de Abril de 2026
Game Reviews Games

Review – Towa and the Guardians of the Sacred Tree

Uma ótima ideia de roguelike soterrada por excesso de fala e pouca empolgação. Entenda!

  • setembro 27, 2025
  • 8 min read
Review – Towa and the Guardians of the Sacred Tree

Towa and the Guardians of the Sacred Tree é o tipo de jogo que engana pela primeira impressão. Pelo visual, pelos materiais de divulgação e pelo tema “sacerdotisa, vila, árvore sagrada”, eu esperava algo na linha de Sakuna: Of Rice and Ruin – uma mistura de ação, fazenda e toques de RPG tradicional. Quando sentei pra jogar, descobri um roguelike de runs sucessivas, bem mais próximo de um Hades “light” do que de um action-RPG clássico.

A surpresa em si não foi o problema. Depois de algumas horas, deu pra ver que a base tem charme e um loop que poderia ser bem viciante: escolher guardiões, entrar em run, administrar recursos, voltar pra vila, melhorar o que dá e recomeçar. O problema é tudo que o jogo empilha em volta disso: excesso de exposição, sistemas que cansam rápido e decisões de acessibilidade difíceis de engolir em 2025.

História: boa premissa, narrativa cansativa

A premissa em si é interessante: o deus maligno Magatsu ameaça o mundo, e cabe à sacerdotisa Towa e aos guardiões ligados à Árvore Sagrada proteger Shinju Village e impedir que tudo vá pro buraco. Há elementos de linhas do tempo fragmentadas, Towa pulando entre realidades, tentativas de consertar o que foi quebrado e a presença dos Prayer Children como peças-chave nessa guerra espiritual.

Em teoria, isso rende um bom drama de fantasia: meddling com o tempo, vilão que percebe as alterações e manda os Magaori invadirem diferentes timelines, e uma protagonista que precisa literalmente desfazer o estrago que ela mesma ajudou a causar. O problema não é a ideia, mas a forma como ela é apresentada.

A narrativa é desbalanceada: Pois tem muito texto, muita cena, muita explicação… Mas pouca capacidade de segurar a atenção.

As conversas se estendem além do necessário, várias cutscenes parecem repetir conceitos ou detalhes de forma menos elegante, e é comum você sentir que o jogo interrompe o ritmo de forma gratuita justo quando a história começa a ficar interessante. Não é que o roteiro seja ruim em si; ele é overdesenvolvido na forma errada, o que é particularmente grave em um roguelike, gênero que vive de fluxo e repetição.

A cada run a história avança um pouco, o que é um conceito legal – você progride não só em poder, mas também em contexto. Só que o excesso de diálogo pouco filtrado faz esse avanço narrativo parecer mais trabalho do que recompensa.


Estrutura de roguelike: um loop bom… até cansar

Quando o jogo deixa você jogar, a coisa melhora bastante. O coração de Towa and the Guardians of the Sacred Tree é o seguinte:

  • Você escolhe dois guardiões para a run:
    • Tsuriugi, focado em combate corpo a corpo;
    • Kagura, responsável pelas proteções mágicas.
  • Define uma Grace (buff) que dá vantagens como mais dano, cooldown mais rápido etc.
  • Parte em uma sequência de áreas, enfrentando inimigos, pegando recursos e tentando chegar até a ameaça ligada a Magatsu daquela run.

A alternância entre os guardiões garante uma certa variedade de estilo, e o fato de ter muitas combinações possíveis de dupla é um ponto positivo: se uma formação não funcionar bem pra você, dá pra experimentar outra no próximo ciclo. Isso é algo que o jogo faz bem – ele te encoraja a testar, errar e encontrar uma “dupla preferida”.

Entre as tentativas, você volta à Shinju Village, conversa com NPCs, reconstrói partes da vila e se prepara para futuras incursões. Essa alternância de ação e “cidade-base” é padrão em roguelike modernos, e aqui ela funciona de forma competente: a vila serve como pausa e como lembrete do que você está tentando proteger.

O problema é que, depois de um tempo, o loop começa a mostrar os atravessos:

  • Weapon durability: a durabilidade das armas obriga você a ficar atento o tempo todo. Nos primeiros hours, isso é até interessante — você pensa melhor nos golpes, evita bater no vazio. Mas, mais pra frente, quando as runs ficam mais longas e o jogo exige mais precisão, a durabilidade passa a parecer mais chateação do que profundidade.
  • Dependência de sorte: mesmo com Graces e melhorias, há runs em que o “sorteio” de recursos e armas simplesmente não ajuda. Isso faz parte do gênero, claro, mas aqui a sensação de “run morta de nascença” aparece com frequência maior do que deveria.

Passadas as primeiras dezenas de tentativas, a curva de interesse cai: o sistema é bom o bastante pra segurar por um tempo, mas não evolui tanto a ponto de sustentar completamente a repetição mais longa. Foi aí que começou a bater a sensação de “mais uma dúzia de runs e eu realmente sigo pra outro jogo”.


Criação de armas: minigame divertido, mas não salva tudo

Uma parte que me surpreendeu positivamente foi o sistema de craft de armas na vila. Você pode forjar espadas e equipamentos para os guardiões por meio de um minigame que permite bastante customização: comprimento da lâmina; guarda, cabo, bainha; detalhes visuais e ajustes de atributos.

É uma daquelas mecânicas “secundárias” que acabam sendo o momento mais divertido fora da ação. Brincar com as configurações e tentar encontrar um equilíbrio entre estética e eficiência é satisfatório, e dá um pouco de identidade aos seus guardiões.

O problema é que, por melhor que essa parte seja, ela ainda está a serviço de um loop geral que começa a desgastar. Ela ajuda a aliviar a frustração de runs ruins, mas não resolve completamente o cansaço gerado por durabilidade, sorte instável e a sensação de estar batendo na mesma tecla narrativa.


A grande ausência: sem legendas em PT-BR, em pleno 2026

Um ponto que me deixou realmente decepcionado – e que, honestamente, não deveria mais ser pauta em jogos com lançamento global – é a falta de, pelo menos, legendas em português do Brasil.

A essa altura do campeonato, com o tamanho e a força do público brasileiro, não oferecer PT‑BR nem em texto é, no mínimo, um erro estratégico. Em um jogo tão verbo-dependente, com tanto diálogo, tanta exposição e detalhes de lore, essa ausência pesa ainda mais pois dificulta o acesso de quem não domina inglês; mina parte do apelo da história, justamente onde o jogo investe tanto tempo e passa a sensação de que o nosso mercado ainda é tratado como extra opcional, e não como um público central.

Isso não derruba sozinho a nota – o jogo é avaliado também pelo que faz mecanicamente – mas conta contra, e bastante, em 2026. É um detalhe que, para muita gente, deixa de ser detalhe e vira critério de compra.


Vale a pena?

Towa and the Guardians of the Sacred Tree tem tudo para ser um roguelike memorável no papel: Uma premissa interessante, com viagem temporal e deidade maligna; um sistema de duas funções por run, oferecendo combinações de guardiões; um ciclo de vila – dungeon – vila que, em teoria, mantém o jogador engajado; um minigame de criação de armas que é genuinamente divertido.

Na prática, porém, o jogo se enrosca em três pontos principais:

  1. Narrativa excessivamente verborrágica, que dilui o impacto de uma boa premissa em cenas longas demais.
  2. Loop de gameplay que cansa antes da hora, com durabilidade e sorte pesando de maneira mais irritante do que interessante ao longo prazo.
  3. Falta de legendas em PT‑BR, uma escolha difícil de defender em um jogo tão focado em texto, em um mercado onde o Brasil é um dos públicos mais ativos de jogos.

No meio de um calendário lotado de roguelikes fortes e experiências mais bem polidas, fica difícil recomendar Towa and the Guardians of the Sacred Tree com entusiasmo total. Há boas ideias, há momentos divertidos, mas o pacote geral não acompanha o nível que o gênero já estabeleceu.

About Author

LuanVerissimo

Diretor de conteúdo do Site AcessoGEEK e Redator no Terra (Geek), especializado em games, cinema, séries e tecnologia, admirador da astronomia e suas teorias místicas de viagens no tempo e espaço, aliens e planetas habitáveis. Sonho em conhecer a NASA.