Review – Wall World 2: aprofunda a mineração roguelite com mais ação e personalização

Wall World 2 amplia a fórmula do primeiro jogo ao combinar mineração, combate, extração e melhorias permanentes em um mundo vertical dominado por criaturas hostis e mistérios enormes.

Em Wall World 2, toda a civilização vive sobre uma parede aparentemente infinita. Muitos tentaram encontrar sua borda, mas nenhum voltou — com exceção do avô do protagonista, que mais tarde também desapareceu. Agora, a busca pelo limite da Muralha leva a uma descoberta ainda mais preocupante: aquilo que parecia ser o fim era apenas uma enorme fenda, e do outro lado existe uma ameaça chamada Leviatã.

A sequência da Alawar mantém a base do jogo anterior: explorar minas, coletar recursos, retornar ao robô-aranha e gastar os materiais em melhorias. A diferença está na expansão desses sistemas, com mais opções de customização, missões, equipamentos e progressão permanente.

O resultado é um roguelite direto e acessível, ideal para quem gosta da sensação de entrar em uma expedição curta, extrair o máximo possível e voltar mais preparado para a próxima tentativa.

Minerar é simples; voltar vivo é o desafio

A estrutura principal de Wall World 2 gira em torno do robô-aranha, usado para viajar pela Muralha e acessar minas. Ao encontrar uma área de exploração, é necessário colocar o veículo em modo estacionário, sair dele e começar a perfurar blocos com uma furadeira de plasma.

Os recursos coletados são aspirados e levados de volta ao robô, servindo para comprar melhorias e liberar novas tecnologias. Parece simples, mas há uma pressão constante: enquanto o personagem explora a mina, inimigos podem atacar o robô-aranha.

Isso cria uma boa dinâmica de risco. Quanto mais fundo o jogador vai, mais materiais pode encontrar. Porém, ficar tempo demais longe do veículo pode ser fatal. Quando a situação sai de controle, é possível solicitar uma extração e encerrar a missão antes que tudo seja perdido.

O jogo encontra um equilíbrio eficiente entre exploração e urgência. Não basta minerar de maneira automática: é preciso decidir até onde vale avançar e quando abandonar uma expedição.

O robô-aranha é o centro da progressão

A melhor parte de Wall World 2 está na personalização do robô-aranha. É possível trocar pernas e corpo, desbloquear módulos e montar uma máquina mais adequada ao estilo de cada jogador.

Algumas peças privilegiam velocidade, enquanto outras oferecem mais durabilidade ou vantagens de combate. Essas escolhas influenciam diretamente a forma de lidar com inimigos e explorar regiões perigosas.

O protagonista também pode receber melhorias para sua exploração fora do veículo. Entre elas estão:

  • Perfuração Econômica, com chance de receber recursos extras ao destruir blocos;
  • Mineração Esmagadora, que danifica blocos próximos após uma destruição;
  • Repulsores, que aumentam bastante a velocidade de movimento nas minas;
  • melhorias de armazenamento, permitindo coletar mais recursos antes de voltar ao robô.

Essas opções criam uma sensação agradável de evolução. Nas primeiras expedições, a exploração é limitada e cautelosa. Com o tempo, o jogador se torna mais rápido, eficiente e capaz de sobreviver por mais tempo em áreas perigosas.

Combate exige mobilidade e decisões rápidas

Wall World 2 não é apenas um jogo de mineração. As criaturas Zyrex atacam com frequência, e defender o robô se torna tão importante quanto coletar recursos.

Nos controles de PlayStation 5, a movimentação usa o analógico esquerdo, enquanto o direito controla a mira. O disparo fica no gatilho R2, habilidades são ativadas com R1 e um dash permite escapar rapidamente de ataques. Armas e poderes podem ser trocados pelo direcional ou por uma roda de seleção.

A resposta dos controles é boa e combina com o ritmo das lutas. Quando inimigos aparecem, o jogador precisa decidir se continua explorando, volta rapidamente para o veículo ou pede extração. Essa pressão impede que as minas virem apenas corredores de blocos para quebrar.

Ainda assim, o combate funciona mais como complemento da mineração do que como grande destaque. A satisfação vem principalmente de administrar o risco e sobreviver com recursos suficientes para comprar a próxima melhoria.

Base, laboratório e até bar fazem parte da preparação

Entre as missões, o jogador volta para a base. É lá que os recursos permanentes são investidos em melhorias maiores, equipamentos e tecnologias.

Jill, a engenheira responsável pelo robô-aranha, libera avanços úteis no laboratório. O Gerador Sísmico, por exemplo, destrói lentamente blocos próximos ao veículo. Já a melhoria da Furadeira de Plasma faz o robô perfurar automaticamente alguns blocos ao entrar em uma mina.

Existe também um bar, onde o jogador pode comprar até duas bebidas antes de partir para uma nova missão. Cada uma oferece bônus temporários, como:

  • aumento de dano contra Zyrex dentro das cavernas;
  • reflexão de dano recebido;
  • maior velocidade de movimento;
  • poder de perfuração mais alto.

É um sistema simples, mas adiciona escolhas interessantes antes de cada expedição. Em uma missão mais perigosa, talvez valha priorizar dano e sobrevivência. Em outra, mobilidade e mineração rápida podem ser mais úteis.

A história é funcional, mas não é o foco

A narrativa gira em torno do desaparecimento do avô do protagonista, da busca pela borda da Muralha e do Leviatã, uma criatura muito maior e mais perigosa do que se imaginava.

Há também uma raça hostil que vive dentro da própria Muralha e vê os habitantes da superfície como inimigos. Essa descoberta amplia o mistério do mundo, mas a história não é o principal motivo para jogar.

Wall World 2 funciona melhor como uma experiência baseada em runs, aprimoramentos e descobertas mecânicas. Quem procura uma aventura narrativa profunda pode achar o enredo pouco desenvolvido. Já quem gosta de roguelites focados em progresso constante encontrará uma premissa suficiente para dar contexto às expedições.

Vale a pena?

Wall World 2 é uma sequência competente que entende bem o apelo de seu loop: entrar em uma mina, perfurar blocos, coletar recursos, fugir de inimigos e voltar para investir em melhorias. A fórmula não é revolucionária, mas é bastante eficiente.

A personalização do robô-aranha, as melhorias permanentes e os bônus temporários mantêm as expedições interessantes. O combate adiciona pressão suficiente para impedir que a mineração se torne repetitiva cedo demais, enquanto o sistema de extração dá ao jogador uma saída quando a situação piora.

O principal limite é justamente a repetição. Depois de várias horas, a estrutura continua sendo essencialmente a mesma, e a história não tem força suficiente para renovar o interesse sozinha. Mas, pelo preço de US$ 13,99 no PlayStation 5, Wall World 2 oferece um pacote sólido para fãs de roguelites, mineração e progressão baseada em upgrades.

8Bom
Veredito

Bom

Review – Wall World 2: aprofunda a mineração roguelite com mais ação e personalização