Banda de metal cristão processa Netflix por causa de KPop Demon Hunters

A banda de metal Demon Hunter processa a Netflix por violação de marca devido ao filme KPop Demon Hunters. Entenda a polêmica e os casos de confusão de fãs.

O cenário do entretenimento está diante de um embate jurídico inusitado que coloca frente a frente o heavy metal e o fenômeno do K-pop. A banda de metal cristão Demon Hunter iniciou um processo judicial contra a Netflix, acusando a gigante do streaming de violação de marca registrada e concorrência desleal. O motivo da discórdia é o título do filme de animação de grande sucesso, KPop Demon Hunters, que, segundo os músicos, tem causado uma confusão generalizada entre os consumidores.

A origem da disputa e a confusão de marcas

A ação judicial foi protocolada pela Hyde Lane, empresa que gerencia os interesses da banda Demon Hunter. O processo alega que a Netflix Studios e a promotora de shows AEG Presents criaram uma situação de “confusão substancial” no mercado ao utilizarem um nome tão similar ao do grupo musical, que possui uma trajetória consolidada de um quarto de século.

De acordo com os documentos apresentados ao tribunal, a banda foi formada na virada do século e, desde então, tem mantido uma presença constante na indústria.

“Demon Hunter é uma banda de metal bem conhecida e celebrada. Nos 25 anos desde sua formação, o grupo lançou álbuns de forma consistente, realizou turnês e vendeu mercadorias para um público grande e dedicado”

Afirma a petição inicial.

O conflito escalou após o lançamento do filme em 2025. A defesa da banda argumenta que a Netflix, apesar de provavelmente estar ciente da existência do grupo musical, optou por seguir com o título KPop Demon Hunters. O longa-metragem não apenas dominou o serviço de streaming, mas também gerou uma trilha sonora e uma linha de produtos licenciados que estariam interferindo diretamente no mercado da banda.

Casos reais de confusão entre os fãs

Para sustentar a acusação de que o nome do filme está prejudicando sua marca, a banda apresentou exemplos reais de situações em que o público se sentiu enganado ou confuso. Um dos casos mais emblemáticos citados no processo envolve um fã que desembolsou 500 dólares em ingressos de primeira classe para um show do Demon Hunter em Albany, Nova York.

O comprador acreditava estar adquirindo entradas para uma apresentação relacionada ao filme da Netflix, planejando levar suas filhas de cinco e seis anos ao evento. Ao perceber o erro, o consumidor entrou em contato solicitando reembolso:

“Existe alguma forma de me reembolsar ou me dar um crédito? Se eu não for reembolsado, não poderei comprar ingressos para o show real do ‘KPop Demon Hunters'”

Escreveu o fã em um e-mail anexado ao processo.

Além de fãs confusos, o processo relata que profissionais da indústria também foram induzidos ao erro. Um produtor de televisão teria procurado os empresários da banda de metal acreditando que eles estivessem vinculados à produção da Netflix. Nas redes sociais, usuários frequentemente marcam o perfil oficial da banda em postagens que deveriam ser direcionadas ao filme de animação.

A animação que gerou a polêmica centra-se no grupo Huntrix, um trio musical que caça demônios. Originalmente produzido pela Sony Pictures, o filme foi lançado pela Netflix através de um acordo de preferência e rapidamente se tornou o filme original mais assistido na história da plataforma. O sucesso foi tamanho que rendeu vitórias no Oscar e a confirmação imediata de uma sequência.

No campo jurídico, ambas as partes buscaram proteção para seus nomes em momentos distintos. A Hyde Lane registrou a marca “Demon Hunter” para músicas gravadas e mercadorias em 2022, possuindo também pedidos pendentes para apresentações musicais ao vivo. Por outro lado, a Netflix registrou “KPop Demon Hunters” para diversos usos em mercadorias, com outros pedidos ainda em fase de análise.

O que a banda exige no tribunal

A banda Demon Hunter solicita agora que o tribunal impeça a Netflix de utilizar o nome do filme em qualquer conexão com música gravada, apresentações ao vivo e venda de mercadorias. Além da interrupção do uso da marca, o grupo busca indenizações por danos, cujos valores ainda não foram especificados.

Em resposta às acusações, um porta-voz da Netflix afirmou que as alegações da banda não possuem mérito. Enquanto a batalha legal prossegue, a Netflix continua a expandir a franquia, com rumores de uma série de televisão e até mesmo um musical de palco baseados no universo de KPop Demon Hunters. O desfecho deste caso poderá estabelecer precedentes importantes sobre o uso de nomes de marcas em diferentes nichos da indústria do entretenimento.