21 de Julho de 2026
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Review – Granblue Fantasy Relink – Endless Ragnarok: A expansão que dá aula de como uma DLC precisa ser!

Uma expansão que faz o jogo respirar melhor, mesmo sem resolver todos os problemas.

  • julho 18, 2026
  • 6 min read
Review – Granblue Fantasy Relink – Endless Ragnarok: A expansão que dá aula de como uma DLC precisa ser!

Endless Ragnarok é exatamente o tipo de DLC que um action RPG como Relink precisava. Em vez de apenas jogar mais chefes gigantes no fim do jogo, a expansão mexe na espinha dorsal da progressão, reduz parte do grind e incentiva você a testar mais personagens e builds. O resultado não é uma revolução, mas uma melhora clara na forma como o jogo flui do começo ao fim.

A base já era muito sólida: combate rápido, elenco grande e bem diferente entre si, e uma campanha que apresentou o universo de Granblue Fantasy para muita gente fora do Japão. Endless Ragnarok chega depois desse sucesso inicial com um pacote bem direcionado: novos personagens jogáveis, missões mais difíceis, inimigos inéditos e, principalmente, o modo Conflux, que acaba sendo o centro da experiência.


Conflux: o modo que ajeita a progressão

O Conflux funciona como um roguelite solo em ciclos. Você leva o Captain e parte da tripulação para uma sequência de arenas e encontros especiais, terminando com versões modificadas de chefes do jogo base. Cada corrida rende recompensas em bloco: materiais para forjar armas, melhorar sigils, remover limites de arma e avançar em Awakening.

O ponto importante é que os primeiros ciclos do Conflux já aparecem durante a campanha principal. Isso dá aos jogadores novos uma rota bem mais amigável para atingir o nível de poder necessário para o pós-jogo, sem depender tanto de repetir as mesmas quests. Reformular a progressão usando esse modo foi uma boa sacada: ele resolve parte do problema de “chegar no endgame fraco demais” e, ao mesmo tempo, oferece conteúdo relevante para quem já terminou tudo.

As corridas também ganham variedade com as Auras, bônus temporários que permitem experimentar ajustes de build fora da sua configuração padrão, e com eventos diferentes dentro das runs, como minigames de percepção ou “caça ao slime”. Esses detalhes ajudam o Conflux a não virar apenas mais um túnel de combate repetido.


Chaos, Ragnalia e o lado “tryhard”

Para quem já estava confortável em Proud e nos desafios mais pesados do jogo base, a grande novidade é a dificuldade Chaos e os inimigos Ragnalia. As novas quests exigem builds bem afinadas, sigils pensados e execução consistente. Os monstros batem forte, têm muita vida e punem erros de forma bem mais severa.

Em termos de design de combate, isso é excelente: o jogo ganha um teto alto para quem quer min-max, explorar rotas específicas de Master Traits e testar composições com atenção. O lado menos empolgante é que essa dificuldade acaba limitando um pouco a vontade de “brincar” com builds mais exóticas; muitos jogadores acabam voltando sempre às configurações mais eficientes, o que reduz a sensação de liberdade no pós-jogo.


Elenco novo e Master Traits

Endless Ragnarok amplia o roster com Beatrix, Eustace, Fraux, Fediel, Gallanza e Maglielle. É um acréscimo significativo, porque Relink já parte de uma base grande, e aqui não há personagem que pareça apenas “mais um”. Beatrix, em particular, ganha destaque com mecânicas próprias de tempo e buff, mas o ponto principal é que todas essas adições reforçam a sensação de elenco variado, com estilos muito distintos.

Além disso, os Master Traits entram como uma camada nova de progressão para personagens já existentes. São três estilos por personagem, com passivos que se combinam para ativar bônus maiores. É uma forma de revisitar heróis que você já domina, enxergando possibilidades que não existiam na versão base. O Captain, por exemplo, ganha opções mais fortes de cura ofensiva, enquanto personagens como Narmaya e Zeta têm novas formas de mudar o fluxo de combate.


Lyria, Summons e Primal Bursts

Outra mudança relevante é o papel de Lyria. Em vez de ficar só na retaguarda como suporte passivo, ela passa a mover o combate por meio de Summons e Primal Bursts. As Summons utilizam uma barra própria e chamam inimigos poderosos e Primal Beasts para ajudar com dano e buffs gerais; já os Primal Bursts reforçam Chain Bursts e deixam os ataques de Link muito mais centrais na sobrevivência em Chaos.

Na prática, isso abre espaço para novas decisões em batalha: quando gastar a barra de Summon, qual Primal encaixa melhor com seu time, como preparar um Burst para fechar uma janela de DPS. É uma forma de dar mais “peso” às sinergias da party, especialmente nos conteúdos mais difíceis.


Problemas antigos que permanecem

Mesmo com todo esse reforço, Endless Ragnarok não consegue escapar de algumas limitações do jogo base.

Alguns mapas continuam parecendo grandes demais para o que oferecem. Há rotas e áreas em que a quantidade de inimigos é bem baixa, o que gera a sensação de espaço subaproveitado. As dungeons, embora visualmente interessantes, podem soar meio “mortas”: layouts parecidos, encontros que se repetem, pouca surpresa real dentro de cada uma. Isso pesa justamente porque Relink tem um combate bom o suficiente para sustentar encontros mais variados; a base pede mais diversidade do que o conteúdo, às vezes, entrega.

Outro ponto que continua deixando a experiência menos fluida é a forma como o jogo lida com equipamentos obtidos em missão. Assim como já ficava claro na prévia, você ainda não pode equipar uma arma ou peça recém adquirida imediatamente. É obrigatório esperar voltar para o hub e passar pela tela de gerenciamento. Em um gênero onde pegar um drop forte e usá-lo na próxima luta é parte central da sensação de recompensa, essa escolha quebra bastante a imersão. Era algo que já parecia uma boa candidata a revisão durante o período de testes e, infelizmente, foi mantido.

Por fim, o grind não desaparece. Ele fica mais organizado e menos frustrante, graças ao Conflux e às recompensas mais generosas, mas quem joga solo com IA ainda vai sentir o peso de repetir conteúdo para refinar sigils e armas, especialmente em Chaos.


Vale a pena?

Granblue Fantasy: Relink já era um action RPG muito competente, e Endless Ragnarok faz esse conjunto funcionar melhor. A expansão melhora a progressão, reduz parte do desgaste natural do grind, coloca um modo roguelite bem pensado no centro da experiência e ainda adiciona personagens e sistemas que aprofundam o combate. A história nova não tem o mesmo impacto da campanha original, alguns mapas e dungeons continuam pouco densos, e decisões como impedir o uso imediato de novos equipamentos atrapalham a imersão. Mesmo assim, para quem já está investido em Relink, o saldo é claramente positivo.

Se você gostou do jogo base e quer mais motivos para voltar, Endless Ragnarok vale a compra: oferece desafio real, ferramentas novas para experimentar builds e uma progressão mais saudável. Como expansão, cumpre bem o papel de deixar o jogo mais completo.

 

8

Bom

Uma expansão que faz o jogo respirar melhor, mesmo sem resolver todos os problemas.

Plataformas:

PCPlayStationNintendo Switch
About Author

Raul Constantino

Jornalista e professor de comunicação. Eu falo muito de bonecos. Since 1986.