GamesPré-venda de GTA 6 começa no Brasil em 25 de junho; Qual vai ser o preço?GamesThe Adventures of Elliot: The Millennium Tales chega hoje para Nintendo Switch 2, PS5, Xbox e PCGamesKingdom Hearts IV ganha novo trailer na Nintendo Direct com confirmação para Nintendo Switch 2DestaquesThe Legend of Zelda: Ocarina of Time ganha remake confirmado para 2026MúsicaRock in Rio 2026 abre venda geral de ingressos hoje a partir das 19hGamesCastlevania: Belmont’s Curse tem data confirmada e pré-venda aberta após revelação no Xbox Games ShowcaseGamesStellar Blade: Blood Rain é anunciado no Summer Game Fest com nova protagonistaGamesClutch é revelado no Summer Game Fest como jogo de corrida com drama, mundo aberto e elementos PvPvEGamesStar Wars Zero Company ganha data de lançamento e novo gameplay no Summer Game Fest 2026GamesPré-venda de GTA 6 começa no Brasil em 25 de junho; Qual vai ser o preço?GamesThe Adventures of Elliot: The Millennium Tales chega hoje para Nintendo Switch 2, PS5, Xbox e PCGamesKingdom Hearts IV ganha novo trailer na Nintendo Direct com confirmação para Nintendo Switch 2DestaquesThe Legend of Zelda: Ocarina of Time ganha remake confirmado para 2026MúsicaRock in Rio 2026 abre venda geral de ingressos hoje a partir das 19hGamesCastlevania: Belmont’s Curse tem data confirmada e pré-venda aberta após revelação no Xbox Games ShowcaseGamesStellar Blade: Blood Rain é anunciado no Summer Game Fest com nova protagonistaGamesClutch é revelado no Summer Game Fest como jogo de corrida com drama, mundo aberto e elementos PvPvEGamesStar Wars Zero Company ganha data de lançamento e novo gameplay no Summer Game Fest 2026
19 de Junho de 2026
Game Reviews

Review – Life is Strange: Reunion

Jogamos o Life is Strange: Reunion e te contamos o que estamos achando.

  • abril 11, 2026
  • 9 min read
Review – Life is Strange: Reunion

Revisitar Life is Strange tantos anos depois do primeiro jogo sempre traz uma mistura estranha de nostalgia e apreensão. Max e Chloe se tornaram figuras centrais não só da série, mas de um certo tipo de narrativa adolescente que fala de trauma, amizade e culpa com mais sinceridade do que muitos grandes dramas. Reunion entra justamente nesse ponto delicado: ele não apresenta um novo elenco, nem busca um ângulo totalmente inédito. Em vez disso, encara de frente a tarefa de colocar um ponto final na história dessas duas personagens.

É um objetivo pesado, ainda mais depois de Double Exposure, que recolocou Max em destaque, introduziu Caledon, novos rostos e uma nova forma de lidar com poderes temporais. Se aquele jogo parecia um recomeço, Reunion assume o papel de fechamento. E isso, por si só, já o torna menos “livre” do que qualquer outro capítulo da franquia.


O lugar de Reunion dentro da série

Para entender o impacto de Reunion, é impossível ignorar o caminho percorrido até aqui. O primeiro Life is Strange construiu o vínculo entre Max e Chloe e terminou com uma decisão que dividiu jogadores e deu origem ao clássico dilema “Bay ou Bae”. Depois, a série explorou outros personagens, outros poderes, outras cidades. Double Exposure trouxe Max de volta, adulta, dando aula, tentando construir um futuro em Caledon ao mesmo tempo em que vivia com o peso de tudo que aconteceu em Arcadia Bay.

Reunion nasce diretamente desse contexto. Não tenta ser uma nova porta de entrada, nem finge que dá para começar por aqui. Ele se apoia em três jogos de história prévia, cicatrizes emocionais acumuladas e expectativas formadas ao longo de uma década. Não existe espaço para neutralidade: é um título feito claramente para quem já conhece a trajetória da série e, mais especificamente, da dupla que a definiu.

Esse foco temporal é um dos motivos pelos quais Reunion parece, em vários momentos, mais um epílogo estendido do que um “novo Life is Strange” completo. A intenção não é tanto abrir outra fase, e sim resolver o que ficou pendurado.


Caledon em chamas, Max em colapso

A premissa é relativamente simples: Max volta a Caledon depois de um compromisso profissional e encontra o campus em colapso, tomado por fogo e caos. Entre estudantes e colegas mortos, o desastre ecoa imediatamente o trauma de Arcadia Bay. Diante da tragédia, ela recorre novamente àquilo que tentou deixar para trás: a manipulação do tempo.

Em vez de navegar entre dois mundos paralelos, como em Double Exposure, ela retorna ao esquema mais familiar de rebobinar cenas, refazer escolhas recentes, testar possibilidades em busca de uma linha de ação que evite o pior. Essa “volta às origens” não é gratuita; ela faz parte da proposta de amarrar o arco de Max retomando a ferramenta que a definiu lá atrás.

O problema é que, enquanto a base emocional tem força, a construção em volta dela soa enxuta demais. Caledon, que antes parecia um ambiente cheio de gente e problemas, aqui se reduz a poucos pontos visitáveis e a um círculo estreito de personagens realmente relevantes. Muito do elenco de Double Exposure reaparece em participações curtas, quase decorativas, como se servisse apenas para marcar presença e lembrar o jogador de que eles existem.


Elenco de apoio diluído

Uma das fragilidades mais evidentes de Reunion está no tratamento dado às figuras ao redor de Max. Moses continua sendo o coadjuvante mais consistente, aparecendo com regularidade suficiente para parecer alguém importante na vida dela. Safi retorna, mas surge e some em intervalos que reduzem seu impacto. Outros nomes, como Vinh, Amanda, Reggie, Loretta e até personagens que antes pareciam caminhar para algo maior, perdem espaço.

Essa compressão não é exatamente incomum em capítulos finais, quando muita coisa precisa ser resolvida em pouco tempo. O problema é que o jogo não compensa essa redução com novos rostos especialmente memoráveis. Mesmo o novo reitor de Caledon, que poderia servir como figura de conflito institucional, não passa de um antagonista pouco elaborado, mais funcional do que realmente interessante.

Como consequência, o cenário universitário deixa de ser um organismo vivo e vira quase cenário de teatro: um pano de fundo por onde Max transita em busca da verdade por trás do incêndio, sem que as relações com esse mundo sejam tão marcantes quanto costumavam ser em outros Life is Strange.


Mecânicas mais simples, menos impacto nas escolhas

Do ponto de vista interativo, Reunion retorna a um formato familiar, mas com menos fôlego. O rebobinar de tempo volta a ser a habilidade central, usado tanto para corrigir erros práticos quanto para testar caminhos de diálogo e pequenas resoluções de cena. Há situações em que isso cria momentos inteligentes – como pegar informação, desfazer a conversa e agir de outra forma com base no que foi “aprendido” – e até pequenas piadas internas que reforçam a personalidade da protagonista.

Ainda assim, o nível de “peso” que as escolhas carregam parece reduzido. As decisões mais importantes existem, e há pelo menos um momento em que a ilusão de escolha é construída de maneira emocionalmente contundente, mas a maior parte das opções sente menos efeito duradouro sobre personagens e enredo do que em jogos anteriores. Mesmo dentro de um estilo de narrativa que sempre foi mais sobre sensação do que sobre ramificações profundas, Reunion passa um pouco da linha do minimalismo.

Elementos como minijogos de diálogo, à la Backtalk de Chloe, aparecem em doses pequenas demais para se tornarem parte definidora da experiência. E a própria progressão da trama, estruturada em um número menor de cenários e eventos, não dá tanto espaço para aquelas pausas contemplativas que ajudavam a construção de clima na série.


O eixo central: duas pessoas, uma década de história

Apesar de todos esses problemas, existe um núcleo que puxa Reunion para cima: o reencontro de Max e Chloe. É nítido que todo o resto foi enxugado para que o foco emocional recaísse quase exclusivamente sobre essas duas. E, nesse ponto, a Deck Nine demonstra compreensão do que esses personagens significam para o público.

A presença das duas retoma diretamente a ferida aberta do primeiro jogo. A forma como o roteiro incorpora diferentes resoluções de Bay/Bae, a maneira como o trauma da tempestade é explorado e a forma como a própria existência de Chloe entra em conflito com as regras estabelecidas pelo universo são elementos que fortalecem a ideia de que Reunion é, antes de mais nada, sobre elas.

Nem tudo nesse relacionamento é tratado com a calma que mereceria. O tempo que o jogo dedica a simplesmente deixar as duas existirem na mesma cena, sem pressa, é menor do que muitos fãs esperavam. Em outra época, uma sequência dessas poderia facilmente ocupar o fim de um episódio inteiro, dando ao jogador a chance de se reencontrar emocionalmente com elas sem o peso imediato da próxima crise. Aqui, em vários momentos, essa etapa é atropelada em nome do avanço do enredo principal.

Mesmo com esse ritmo apressado, há momentos em que Reunion entrega exatamente aquilo que se esperava – e temia – ver: fragilidades expostas, culpa acumulada, carinho reprimido, medo de perder de novo, tentativas sinceras de encontrar um caminho possível depois de tudo. É nessas cenas que o jogo mostra por que Max e Chloe se tornaram tão importantes na cultura da série, e por que tanta gente precisava dessa espécie de “epílogo oficial”.


Fechando o ciclo

Ao fim de Reunion, a sensação que fica é dupla. De um lado, fica claro que este é um Life is Strange menor, menos ousado e mais limitado em termos de jogo: poucas mecânicas novas, elenco secundário menos relevante, ambientação reduzida, escolhas com alcance mais modesto. Em comparação com o impacto do original ou com a segurança narrativa de True Colors, ele fica atrás.

Por outro, a função que ele cumpre não é a mesma de um novo início. Reunion existe para selar algo que muitos já consideravam encerrado, mas que ganhou novas camadas com Double Exposure. Dentro desse propósito específico, ele alcança o mínimo indispensável – e em alguns momentos, vai além. Max e Chloe emergem do outro lado com um arco que, mesmo não agradando a todos, transmite a ideia de conclusão. Não definitiva no sentido metafísico, mas suficiente para que a série, se quiser, possa seguir sem elas sem deixar a sensação de abandono.

No balanço geral, Reunion não é o capítulo que vai fazer alguém se apaixonar por Life is Strange pela primeira vez. Para quem já viveu essa paixão, porém, ele funciona como carta de despedida: cheia de contradições, longe da perfeição, mas honesta com o que essas duas personagens sempre representaram.

Vale a pena?

Life is Strange: Reunion está longe de ser o ponto alto da série como jogo. A ambientação é mais limitada, os coadjuvantes perdem relevância, as mecânicas são enxutas e as escolhas nem sempre trazem o impacto emocional e estrutural que os fãs se acostumaram a esperar. Em termos de design, ele se aproxima mais de um epílogo robusto do que de um novo capítulo completo.

Ainda assim, para quem acompanha Max e Chloe desde Arcadia Bay, a experiência tem um peso que vai além da lista de prós e contras. Reunion entrega o que muitos queriam (e temiam) desde o primeiro jogo: um fechamento mais definido para essa relação, encarando de frente as consequências de Bae/Bay e do que Double Exposure havia reaberto.

Se você está chegando agora à franquia, este não é o lugar para começar. Mas, se já carrega esses personagens com você há anos, Reunion vale pelo que faz de melhor: dar um desfecho digno a Max e Chloe, mesmo que tropece em quase tudo ao redor.

8

Bom

Como jogo isolado, ele é fraco em mecânicas, repetitivo em cenários e bem tímido com o elenco de apoio. Como epílogo emocional para Max e Chloe, ele funciona bem melhor do que deveria e entrega momentos fortes o suficiente para compensar boa parte das limitações. Por isso, fica num meio-termo: longe dos melhores da série, mas importante pra quem já está emocionalmente investido.

Plataformas:

PCXboxPlayStationNintendo Switch
About Author

Raul Constantino

Jornalista e professor de comunicação. Eu falo muito de bonecos. Since 1986.